Minha primeira postagem neste portfólio é um comentário sobre evidências e argumentação no Filme Doze homens e uma sentença.
O que mesmo são evidências? Certeza, clareza, o que pode ser provado e visível. Temos aqui uma doxa. Metade bom senso, metade senso comum. Afinal nossos sentidos nos enganam muitas vezes. Reza a lenda humana que eles foram criados a imagem e semelhança de um deus. Este deus deu capacidade aos humanos de pensar. O intelecto que reflete rumina, segundo Deleuze e nos torna refém de suas maquinações. Em outro artigo, vou focar especificamente a questão do inconsciente e suas engrenagens. Pensar evidências neste filme é repensar filosoficamente os engodos da razão que o humano insiste em colocar como certeza. São impressões que podem levar a decisões trágicas. Muitas vezes prejudicando irreversivelmente a outrem. Como nos casos de condenação a morte em que o tempo mostra a inocência do condenado. Foram julgados e condenados por evidências. Um olhar de jurado não pode ser superficial e se basear em aparente evidência. O próprio conceito de evidencia é fruto de um raciocino binário. Uma coisa é o que mostra e não é a outra. Existe um problema nesta argumentação que não leva em conta o devir, o que pôde vir a ser. A argumentação trás em si elementos desse devir.
O filme Doze Homens e uma Sentença revertem à lógica da evidência enganosa. Retrata a torrente de elementos que formam o juízo. Uma lógica de fragilidade envolve os argumentos do julgamento humano. A razão de nossa subjetividade desconhece sua capacidade de trapaça. No filme, testemunhas tinham convicção do que pensavam ser a verdade dos fatos ocorridos na noite de um crime. Tal convicção levaria um homem à morte. O personagem de Henry Fonda, (Sr. Davis), no entanto trás dúvida aos jurados. E persiste em suas argumentações e na a possibilidade do erro em relação ao caso. No começo do filme ele tinha duvidas em relação à culpa do rapaz e 11 jurados o achavam culpado. No decorrer da trama evidências são desmascaradas. A testemunha que disse ouvir a discussão entre pai (assassinado) e o filho (possível assassino) enquanto passava o trem. A argumentação do Sr. Davis mostra ser impossível a audição neste cenário. A testemunha que reconheceu o rapaz não enxergava bem. As certezas da testemunha estavam baseadas em certezas e preconceitos em relação ao rapaz. Outro jurado revela seu rancor e preconceito contra pessoas pobres. E assim prossegue o jogo entre evidência e argumentação. O engano das testemunhas e dos jurados reflete a ilusão que está sujeita os caminhos entrelaçados dos labirintos da mente e do intelecto. Os jurados vão mudando de idéia quando surgem às novas evidencias. Fruto de pensamento e da argumentação. Um alerta aos educadores e suas evidências